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Calendário vacinal da criança: guia completo para mães

Mãe sentada num consultório acolhedor com o bebê no colo, acalmando o pequeno enquanto espera a consulta.

O calendário vacinal da criança começa ao nascer e concentra a maior parte das doses nos primeiros 18 meses de vida, a fase em que o bebê está mais vulnerável a infecções graves. Este guia traz as vacinas por idade, conforme o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, o que fazer se uma dose atrasar e quais reações são esperadas.

Resumo rápido:

  • Cada vacina tem a sua idade, e a maior parte das doses se concentra no primeiro ano e 6 meses.
  • Vários imunizantes no mesmo dia são seguros e fazem parte da rotina do calendário.
  • Atraso quase nunca significa recomeçar: retoma-se de onde parou. O rotavírus é a exceção, com prazo fechado.
  • Dor, vermelhidão e febre baixa são reações comuns; bebê muito molinho ou com falta de ar pede avaliação.
  • A caderneta é o documento que manda: leve a todas as consultas.

Como funciona o calendário vacinal da criança

Existem dois calendários vacinais da criança. O primeiro é definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, com as vacinas disponíveis no SUS; ao todo, o PNI oferta 31 tipos de vacina para todas as faixas etárias, segundo o Ministério da Saúde (2023). O segundo é o da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), que inclui também vacinas oferecidas apenas na rede privada. As doses se concentram nos primeiros meses porque é ali que o sistema de defesa do bebê ainda está aprendendo, e uma infecção grave pesa mais.

A caderneta registra o que foi aplicado e o que vem a seguir, e eu explico como usá-la no conteúdo sobre como usar a caderneta da criança. O que descrevo aqui segue a versão de 2026 do Ministério da Saúde.

Vacinas do nascimento aos 6 meses

Linha do tempo ilustrada dos primeiros 6 meses do bebê com as vacinas de cada idade, do nascimento aos 6 meses
Rotavírus tem prazo fechado, então as doses de 2 e 4 meses não devem ser adiadas.

Do nascimento aos 6 meses, o bebê recebe a base do esquema: as vacinas que protegem contra as doenças mais graves da primeira infância. A sequência no calendário nacional de 2026 é esta:

Idade Vacinas Protege contra
Ao nascer Hepatite B e BCG Hepatite B e formas graves de tuberculose
2 meses Penta, poliomielite inativada (VIP), rotavírus e pneumocócica 20-valente Difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae b, hepatite B, paralisia infantil, diarreia por rotavírus e doenças pneumocócicas
3 meses Meningocócica C Meningite e infecções pelo meningococo C
4 meses 2ª dose de penta, VIP, rotavírus e pneumocócica As mesmas doenças dos 2 meses
5 meses 2ª dose da meningocócica C Meningococo C
6 meses 3ª dose de penta e VIP; gripe (influenza) e covid-19 As mesmas doenças, mais gripe e formas graves de covid-19

O ponto de atenção desta fase é o rotavírus, que protege contra a gastroenterite viral (a diarreia com vômitos que derruba o bebê). Ele tem prazo: a 1ª dose vai de 1 mês e 15 dias a 11 meses e 29 dias, e a 2ª de 3 meses e 15 dias a 23 meses e 29 dias, com 60 dias entre elas. Passou do prazo, perdeu-se a oportunidade. A vacina da gripe é anual para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, e quem toma pela primeira vez recebe duas doses, com 30 dias de intervalo.

Vacinas dos 9 aos 15 meses e depois

Dos 9 aos 15 meses entram as vacinas contra febre amarela e sarampo, caxumba e rubéola, além dos reforços das que o bebê começou no primeiro semestre. É a fase que consolida a proteção, e por isso a de 12 meses costuma ser a consulta com mais vacinas do primeiro ano e meio:

Idade Vacinas Protege contra
9 meses Febre amarela Febre amarela
12 meses Reforço da pneumocócica 20-valente, meningocócica ACWY e tríplice viral (1ª dose) Doenças pneumocócicas, meningococos A, C, W e Y, sarampo, caxumba e rubéola
15 meses Reforço de DTP e VIP, tríplice viral (2ª dose), varicela e hepatite A Difteria, tétano, coqueluche, paralisia infantil, sarampo, caxumba, rubéola, catapora e hepatite A

Aos 12 meses costuma haver uma tarde cheia de vacinas, e no consultório muita mãe me pergunta se não é demais. Não é: aplicar várias juntas é seguro e faz parte do calendário. Aos 4 anos vêm o 2º reforço de DTP e VIP, a 2ª dose de varicela e o reforço de febre amarela, e aos 9 anos a vacina contra o HPV.

Vacina do SUS ou da clínica particular?

Para as doenças que o calendário nacional cobre, a proteção da vacina do SUS e a da rede particular é equivalente. A rede particular costuma oferecer imunizantes adicionais ou formulações diferentes, e decidir o que acrescentar é uma conversa individualizada com o pediatra de confiança, que considera a idade, a rotina e o orçamento da família.

A proteção contra as doenças do calendário nacional é equivalente nos dois sistemas, e o calendário da SBP e da SBIm parte dessa mesma base, com trocas e acréscimos que só existem na rede privada. Segundo as edições 2026/2027 da SBP e da SBIm, é nestes pontos que os dois se afastam:

Vacina PNI (SUS) SBP e SBIm (rede privada)
Rotavírus (diarreia viral) 2 doses, aos 2 e 4 meses Também há a vacina de 3 doses, aos 2, 4 e 6 meses, só na rede privada
Difteria, tétano, coqueluche, Hib e hepatite B Penta de células inteiras Preferência pela versão acelular, que usa só partes da bactéria e dá menos reação, e pela hexavalente, que une seis vacinas em uma só picada
Pneumocócica (pneumonia e meningite) Em 2026, transição: 20-valente aos 2 e 12 meses e 10-valente aos 4 meses 4 doses, aos 2, 4, 6 e 12 meses, com a 20-valente ou a 15-valente (mais tipos da bactéria)
Meningocócica ACWY Meningocócica C aos 3 e 5 meses e ACWY aos 12 meses ACWY desde o início, que cobre mais tipos de meningococo, com reforço entre 5 e 6 anos
Meningocócica B Fora da rotina Recomendada a partir dos 2 meses
VSR (bronquiolite) Anticorpo para prematuros e crianças de risco; vacina para toda gestante Anticorpo também para o recém-nascido de mãe não vacinada, de preferência na maternidade
HPV Dose única, contra 4 tipos do vírus Duas doses, contra 9 tipos

Vale pagar pelo que o SUS não oferece?

Vale usar tudo o que o SUS oferece, sem adiar dose gratuita à espera da particular. O que a rede privada acrescenta é uma camada extra, e o pediatra ajuda a decidir por onde começar, de acordo com a idade, o risco e o orçamento. Não falo em valores porque variam de clínica para clínica; eu peso três perguntas:

  • O que a vacina evita? Meningite B e bronquiolite grave pelo VSR pesam mais do que uma reação de dor e febre baixa, e por isso as duas sociedades recomendam essas proteções.
  • Quando ela protege? Algumas doenças são mais graves no primeiro ano, e a SBP indica o anticorpo contra o VSR de preferência ainda na maternidade.
  • O que muda na rotina? Segundo a SBIm (2026), as vacinas acelulares dão reações menos frequentes e menos intensas, e as combinadas reduzem o número de picadas.

Posso misturar SUS e clínica? Muitas famílias fazem assim, e em vários casos é possível: segundo a SBP (2026), as pneumocócicas conjugadas podem ser trocadas entre si. O rotavírus é a exceção, porque iniciado o esquema se completa com a mesma vacina. Combine com o pediatra antes de misturar.

O essencial é que toda vacina aplicada, no posto ou na clínica, seja registrada na caderneta.

Vacina atrasada: precisa recomeçar?

Infográfico em três passos para vacina atrasada: levar a caderneta, conferir as datas com o pediatra e retomar
Mesmo com a caderneta perdida ou incompleta, o serviço de saúde resgata o histórico e a vacinação segue.

Vacina atrasada não exige recomeçar o esquema. Na maioria das vezes se retoma de onde parou, respeitando os intervalos mínimos entre as doses, e o pediatra ou a unidade de saúde monta o plano de atualização. Enquanto a dose não é aplicada, a criança fica desprotegida, e por isso vale não deixar para depois.

No consultório, o que mais vejo é atraso por doença, viagem ou esquecimento, e quase sempre tem conserto. Leve a caderneta, mesmo que esteja incompleta ou perdida: o serviço de saúde resgata o histórico, e, nas palavras do Ministério da Saúde (2023), “a ausência da Caderneta de Vacinação não é um impeditivo para vacinar”. A exceção é o rotavírus, cujas doses têm janela fechada.

Reações depois da vacina e sinais de alarme

As reações mais comuns são passageiras: dor, vermelhidão ou caroço no local, febre baixa, irritação e sono aumentado nas primeiras 24 a 48 horas. Na maioria das vezes pedem só colo e observação, e a conduta para a febre é do pediatra, combinada antes do dia da vacina.

Os sinais de alarme são: febre alta, choro inconsolável por muitas horas, bebê muito molinho ou difícil de acordar, dificuldade para respirar, convulsão e inchaço no rosto. Se aparecer algum, procure o pronto-socorro; para saber como decidir, veja quando levar o bebê ao pediatra de urgência.

Perguntas frequentes sobre o calendário vacinal

Meu bebê pode tomar mais de uma vacina no mesmo dia?

Pode, e isso é rotina. Aplicar várias vacinas na mesma visita não sobrecarrega o sistema imunológico e evita idas repetidas ao posto, o que ajuda a manter o calendário em dia. A exceção são as vacinas de vírus vivo injetáveis, como tríplice viral, varicela e febre amarela: elas são dadas no mesmo dia ou com intervalo de pelo menos 30 dias.

Se a vacina atrasou, preciso recomeçar o esquema?

Não. Na maioria das vezes se retoma de onde parou, respeitando os intervalos mínimos entre as doses. A grande exceção é o rotavírus, que tem prazo fechado para a primeira e a segunda dose.

Bebê resfriado pode tomar vacina?

Resfriado leve, sem febre, em geral não impede a vacinação. Febre ou doença aguda moderada a grave pede conversa com o pediatra, porque o adiamento é recomendado até o quadro melhorar.

Febre depois da vacina é normal?

Dor, vermelhidão no local e febre baixa são reações comuns e passageiras. Choro inconsolável, bebê muito molinho, dificuldade para respirar ou febre alta pedem avaliação. A conduta para a febre é do pediatra, e vale combiná-la antes do dia da vacina.

Vacina causa autismo?

Não. Segundo o Ministério da Saúde (2023), o estudo de 1998 que levantou essa suspeita foi considerado seriamente falho e retirado pela revista que o publicou, e vacinas não causam autismo.

As vacinas têm mercúrio?

Algumas vacinas em frascos de várias doses levam um conservante com mercúrio (tiomersal) em quantidade mínima, e o Ministério da Saúde (2023) informa que não há evidência de que isso represente risco para a saúde.

Quais vacinas o bebê toma ainda na maternidade?

Hepatite B e BCG. A hepatite B protege contra a infecção pelo vírus da hepatite B, e a BCG, contra as formas graves de tuberculose, e as duas abrem o calendário nacional de 2026.

Quando buscar avaliação com o pediatra

Marque uma avaliação com o pediatra de confiança se:

  • A caderneta está atrasada ou você não sabe qual é a próxima vacina.
  • Seu filho teve uma reação que te preocupou depois de uma vacina.
  • Há febre ou doença no dia marcado e você não sabe se adia.
  • Seu filho tem condição de saúde especial que pode mudar o esquema.

O acompanhamento regular é o que mantém tudo em dia, e vacinar é uma das partes mais importantes dele. Entenda o que é puericultura e por que seu filho precisa e conheça a Dra. Jéssica Dantas. Toda criança merece um pediatra para chamar de seu. Espero ter ajudado, e um grande abraço!

Referências

  • Ministério da Saúde. Programa Nacional de Imunizações (PNI). Calendário Nacional de Vacinação 2026: vacinas da criança (0 a 9 anos, 11 meses e 29 dias).
  • Ministério da Saúde. Perguntas Frequentes: Vacinação, 2023.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Calendário de Vacinação da SBP, atualização 2026/2027.
  • Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Calendário de vacinação da criança 2026/2027, versão de junho de 2026.
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Dra Jéssica Dantas

Dra. Jéssica Dantas é médica pediatra e gastropediatra (CRM 185.972 | RQE 1239901). Com formação e preceptoria pela UNIFESP/EPM, dedica-se ao cuidado integral da criança — do recém-nascido ao adolescente — com atenção especial à saúde digestiva e à introdução alimentar. Acredita que toda criança merece um pediatra para chamar de seu e traduz a ciência mais atual em orientações práticas para o dia a dia das famílias. Atende em Vila Mariana, São Paulo.

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