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Puerpério: Lições Práticas de Sobrevivência.

consulta de puericultura, pediatra Dra. Jéssica Dantas examina bebê saudável no colo da mãe

Olá, famílias! Escrevo esse artigo no fim do meu puerpério, como forma de terapia e aproveitando para compartilhar com vocês o que deu certo por aqui para deixar essa fase, dentro do possível, mais leve.

Vou começar pelo meu contexto, afinal, cada uma de vocês terá o seu e isso irá fazer toda a diferença na evolução do puerpério. Por aqui tivemos um parto natural e o bebê nasceu com 38 semanas. Tivemos algumas dificuldades iniciais (comuns) na amamentação, oscilações de humor, privação de sono, medos do novo futuro, e momentos de desespero e frustração após “tentar de tudo” e a criança não acalmar. Aposto que você, mãe puérpera, vai se identificar com muito do que estou relatando aqui.

Mas no fim, quando estou bem e paro para fazer uma reflexão realista, posso dizer que meu puerpério foi tranquilo, dentro do possível, em um contexto de bebê-mãe-pai recém-nascidos. E devo essa tranquilidade a alguns fatos importantes que vou dividir em forma de uma lista de conselhos voltados principalmente para a mãe recém-nascida:

  1. Construa a sua rede de apoio antes do bebê nascer: defina quem vai cuidar da limpeza da casa, das contas, da comida, do trabalho fora de casa, a equipe de assistência médica (obstetra, pediatra, doula, consultora de amamentação, psicólogo) e quem vai ajudar com o bebê.
  2. Se possível, nunca fique sozinha: devido à oscilação hormonal, cansaço e privação de sono, ficamos muito sensíveis a alterações de humor nesse período e isso pode nos ajudar a alimentar alguns pensamentos negativos. A companhia de outro ser-humano além do seu bebê vai te ajudar a desfocar dessa imersão.
  3. Divida em turnos o cuidado do bebê: o pai, avós, tios, amigos, babá, ter outras pessoas para ficar uma horinha que seja com o bebê vai te ajudar a recuperar o gás que você pode ter perdido após algumas horas seguidas cansativas cuidando dele. Essas pessoas podem dar o banho, alimentá-lo (leite ordenhado), colocá-lo para dormir, enquanto você respira um pouquinho e renova sua paciência para recomeçar com amor. Sim, muitas vezes o cansaço nos faz perder a paciência e até nos sentirmos culpadas por isso rsrs.
  4. Saia de casa: se não houver contraindicação médica, faça um passeio de 15-20 minutinhos por dia, no quarteirão do bairro, na padaria da esquina ou até na área de lazer do seu prédio. Mas tenha o ritual de tirar o pijama, lavar a cara cheia de orelhas e respirar um ar diariamente. Não se preocupe que isso não estará expondo seu recém-nascido. É só você optar por passeios rápidos em locais abertos.
  5. Aceite ajuda: muitas vezes as pessoas querem nos ajudar e não aceitamos, pois não queremos incomodar ou mesmo aceitar que a pessoa não irá fazer do “nosso jeito”. Por aqui tivemos uma vovó com palpites como quase em todas as famílias, mas mesmo sendo pediatra, aprendi a relevar o que valia ou não o conflito, e aceitei alguns conselhos da experiência dela e que ela cuidasse do jeito dela se isso não ferisse minhas escolhas de maternidade. Aceitar ajuda é abdicar do controle para dividir a carga. É o famoso: escolha suas batalhas rsrs.
  6. Faça algo por você: A cena corriqueira por aqui é uma mãe com olheiras, coque malfeito para disfarçar um cabelo sujo, vestida de pijama com a criança em uma mama e o coletor de leite na outra. Para fugir desse cenário, escolhi me dar de presente uma massagem relaxante uma vez por semana e tirar uns minutos para escrever e/ou ler diariamente durante todo o puerpério. No seu caso, pode ser outra coisa que te faça sentir-se bem, mas se comprometa a fazer algo (por menor que seja) por você.
  7. Mantenha contato social: seja presencial ou online, escolha um grupo de amigos/familiares próximos para manter contato, para falar sobre o seu momento ou só para saber notícias do “lado de lá”. Por aqui, decidimos receber família e amigos íntimos em casa mesmo para um café aos finais de semana. Isso nos energizava muito e todos eles respeitavam os cuidados com o bebê.
  8. Tenha um “grupo de mães” para chamar de seu: seja a sua família (mãe, avó) ou amigas mães. Não tenha medo de dividir seus desafios e inseguranças. Isso vai te ajudar a perceber que você não está sozinha nessa dor e essas trocas rendem ótimas sugestões de quem já passou pela mesma experiência.

Ufa, é isso, é uma lista e tanto hein? Do fundo do meu coração, espero que isso te ajude a enxergar como deixar o seu puerpério mais leve por aí.

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Eu e Joaquim na nossa primeira amamentação em casa.
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Dra Jéssica Dantas

Dra. Jéssica Dantas é médica pediatra e gastropediatra (CRM 185.972 | RQE 1239901). Com formação e preceptoria pela UNIFESP/EPM, dedica-se ao cuidado integral da criança — do recém-nascido ao adolescente — com atenção especial à saúde digestiva e à introdução alimentar. Acredita que toda criança merece um pediatra para chamar de seu e traduz a ciência mais atual em orientações práticas para o dia a dia das famílias. Atende em Vila Mariana, São Paulo.

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